7 de out de 2012

Alienação Nível Profissional: Doorman (ou “Receptivo de Porta”)

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Entre as diversas possíveis funções que um recepcionista profissional pode executar durante um evento, uma das menos bem quistas é a de “porta”, que pode ser descrita como uma mistura de papagaio (repetindo, ad infinitum, informações) com hostess (esse pode entrar, esse não… Ei! Cadê o seu crachá?!?), fora o ônus de ser obrigado a estar atento para que a porta esteja sempre fechada (para que o barulho externo não atrapalhe o que está sendo apresentado lá dentro), assim como cuidar para que esse ato – o de fechar a porta – seja o menos barulhento possível. Inclua ou não (dependendo do evento) funções extras como: falar inglês, alemão, japonês, realizar leitura de código de barra em crachás, furar crachás, rasgar crachás… às vezes de uma verdadeira enxurrada humana, ávida por acessar o recinto que você está sendo pago para, com a maior suavidade, controlar.

Alguns podem achar a tarefa acima descrita fácil, mas após um dia inteiro de pé, abrindo e fechando porta – muitas vezes sem poder sentar e mal podendo ir ao banheiro – gostaria de ver se essa opinião iria permanecer.

No meu caso, não posso esconder que a motivação é o dinheiro: ele é que me faz ficar ali, simpático e sorrindo das 7:00 às 18:00, correndo o constante risco de conflito por estar exposto aos mais diversos tipos de personalidade… e tem que ser um valor considerável, pois já recebi ofertas pelas quais me foi muito mais vantajoso permanecer em casa. Seria insano ter de pagar para trabalhar, não é mesmo?

Da mesma forma existem pessoas que te contratam e são tão difíceis de lidar – e digo isso acerca da personalidade e não dos possíveis contratempos e percalços que possam ocorrer durante o trabalho – que servem para revelar uma das principais vantagens de ser free-lancer: no final do trabalho poder dizer “pra você eu não trabalho nunca mais”!!! Isso é raro, mas já aconteceu…

Deixemos de lado os devaneios e vamos nos concentrar no tema sugerido no título: sendo essa uma das funções mais maçantes exercidas durante um evento, decidi dar dicas “úteis” do que pode ser feito para diminuir a monotonia em “um dia de porta”. Pela total falta de voluntários, tive que – eu próprio!!! – ser o “modelo” ilustrativo para as atividades sugeridas.

Bronzeamento Artificial das Palmas das Mãos

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Infeliz e geralmente, essa função exige uma indumentária – o terno – que não permite uma exposição adequada do todo o corpo à luz, deixando apenas as mãos e a cabeça de fora, mas isso não é motivo para impedir que essas áreas recebam um tratamento exclusivíssimo de beleza: se próximo da porta existir um refrescante refletor ligado, siga a ideia do ditado: se te derem limões, faça uma limonada!!

Não se esqueça de trocar de lado e bronzear a outra mão, assim como de prestar atenção para que o refletor não deixe as palmas das mãos amarelas, pois - ao contrário da aparência de saúde desejada - vai acabar te trazendo má fama quando quiserem culpar alguém por flatulências inadvertidas…

Camuflagem Passiva

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Se houver alguma planta nas proximidades, se achegue e fique o mais quietinho possível: você só saberá que funcionou quando as pessoas passarem sem parar para te perguntar nada!

Há uma lenda acerca de um suposto “maior receptivo de porta de todo o Brasil” que desapareceu, em 1993, durante um evento no Riocentro: foi tão perfeito ao se camuflar que ninguém conseguiu ver o momento em que foi vitimado pelas aranhas!

Alguns juram já ter visto, nos eventos com coffee break que ocorrem por lá, biscoitos, canapés - e até mesmo lunch boxes inteiras! - sendo conduzidos, por um vulto, até uma porta no segundo andar do pavilhão 5 onde, de repente, desaparecem.

Teletransporte de Consciência

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Em hotéis à beira-mar, nos dias mais lindos, quando o sol brilha e o vento move as folhas lá fora… sua consciência está lá também!!

Essas são minhas humildes dicas para que o dia dos “doormen” não seja tão sofrido. E você… é recepcionista? Tem alguma sugestão?

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