29 de jan de 2010

Não Roubamos Mais!

ladrao-de-galinhas Aqui em casa sempre houve um certo desconforto quando usamos o termo “roubar”: verdadeiramente não gostamos dele, principalmente depois que nossa sobrinha de 5 anos, filha do meu cunhado, nos visitou certo dia e disse sorrindo:

— Meu pai bem te roubou hoje de manhã!

Que coisa horrível para uma criança dizer daquela forma tão sorridente
Isso nos deixou ainda mais preocupados com a inversão total de valores que está ocorrendo na sociedade como um todo: agora os ladrões somos nós, que jogamos CF? Os políticos viraram o quê? Heróis?

Então, depois de muito refletir e discutir, chegamos a um consenso: para evitar que sejamos erroneamente enquadrados nos artigos 155 ou 157 do código penal brasileiro… vamos parar de roubar! Definitivamente!

Agora aqui em casa somos apenas “coletores”!
Todas as vezes que virmos algo interessante na fazenda de nossos amigos, vamos coletar amostras!
Eu sei que fica parecendo que vamos fazer exame de fezes em todos vocês, mas é bem mais bonito falar “eu coletei” do que “eu roubei”!

Ainda há o fato do “Assistente da Fazenda” estar com problemas desde ontem, mostrando apenas uma ou duas linhas: antes nós ajudávamos primeiro para depois COLETAR, mas se continuar assim vamos começar a fazer o inverso: vai parecer que somos os maiores bonzinhos do mundo! Vivemos para ajudar!

Portanto, daqui para frente, caso constatem que nossa visita às suas fazendas  foi seguida do recolhimento de algum material… saiba que o(s) produto(s) desaparecido(s) não foi (foram) roubado(s), mas sim COLETADO(S)!

Tenho quase a certeza de que se os meliantes passassem a usar termos menos chocantes, haveria bem menos violência no mundo. Imaginem a situação:

— Com licença, senhora! Estou seguindo seus passos desde que deixou seu carro no estacionamento e agora, aqui neste beco deserto, preciso expressar minha intenção de coletar os bens que possui em sua bolsa…

— Pois não, senhor! Mas, por favor, deixe minha documentação intacta para que, no caso do senhor decidir utilizar a arma que empunha, eu não venha a ser enterrada como indigente!

— De forma alguma, senhora! Sua colaboração é muito importante para nós! É melhor coletar pouco, mas deixar o espécime vivo para que se colete sempre!

— Ó… por favor, não leve meus medicamentos, pois ainda estou consumindo tamiflu, por causa da gripe suína que contraí recentemente. Espero que em nosso breve contato o senhor não tenha sido infectado pelo vírus…

— Agradeço pelo aviso e pelos… oitenta… e cinco… deixa eu ver as moedas… e seis… e sete… oitenta e oito reais e vinte e cinco centavos que pude coletar enquanto revistei seus pertences. Estimo sua plena recuperação e, por favor, não siga adiante neste beco, pois há um concorrente meu alguns metros adiante e não seria de bom alvitre encontrá-lo sem material algum para ser coletado.

— Muito obrigada pelo aviso e… espere! Tome aqui: eu tinha uma nota de cem dentro do sutiã… sabe como é, está tudo tão perigoso!

— Já que a senhora oferece… eu aceito! Pensando melhor… eu tenho duas famílias e estou arrumando um caso lá nas quebradas do Muquicim… esse seu sutiã é muito bonito! Poderia cedê-lo para que eu presenteasse minha concubina?

— …

Mais tarde, na delegacia, a mulher presta queixa vestida apenas com uma toalha que arrumaram com alguém que se compadeceu de seu estado de nudez. O delegado, surpreso pelo fato de não ter havido um estupro, questiona:

— Quer dizer que… além de roubar seus valores… o meliante ainda conseguiu levar toda a sua roupa?!?

Então, traumatizada pela recente experiência de ter se descoberto nua em pleno centro daquela grande cidade, a mulher, em choque e ainda com os olhos brilhantes das lágrimas de pânico e vergonha, dá um profundo suspiro e responde:

— Mas ele era tão educado…


Vamos tornar esse mundo um lugar mais civilizado!!!

Um abraço!

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